Ataques Hackers · Fonte: Tecnoblog

Worm Miasma compromete 73 repositórios da Microsoft no GitHub em 105 segundos usando assistentes de IA como vetor

O grupo criminoso TeamPCP usou ferramentas de programação com inteligência artificial — como Claude Code, Gemini CLI e Cursor — como vetor de infecção para propagar o worm Miasma e comprometer dezenas de repositórios oficiais da Microsoft no GitHub, coletando credenciais de desenvolvedores em menos de dois minutos.

Worm Miasma compromete 73 repositórios da Microsoft no GitHub em 105 segundos usando assistentes de IA como vetor

Um ataque silencioso de dois minutos

Na tarde de 5 de junho de 2026, em menos tempo do que leva para preparar um café, o grupo de ameaças persistentes conhecido como TeamPCP conseguiu comprometer 73 repositórios oficiais da Microsoft no GitHub. O vetor escolhido não foi uma vulnerabilidade zero-day nem uma técnica de força bruta: foram as próprias ferramentas de inteligência artificial que os desenvolvedores utilizam no cotidiano para escrever código mais rápido. O worm batizado de Miasma transformou assistentes como Claude Code, Gemini CLI, Cursor e o próprio VS Code em cúmplices involuntários de uma das operações de ataque à cadeia de suprimentos de software mais ágeis já documentadas.

Como o Miasma funcionava

A infecção teve início quando uma conta previamente comprometida de um colaborador empurrou um commit malicioso ao repositório Azure/durabletask. O commit foi estrategicamente disfarçado: a data de autoria foi manipulada para 2020 e a mensagem incluía a flag [skip ci], impedindo que pipelines de integração contínua disparassem alertas automáticos. O conteúdo não alterava uma linha sequer do código-fonte — apenas adicionava cinco arquivos de configuração cuidadosamente posicionados para ativar execução automática em diferentes ambientes de desenvolvimento.

Cada arquivo visava um assistente de IA específico. Para o Claude Code, o atacante plantou um .claude/settings.json com um hook de SessionStart que executava silenciosamente o script .github/setup.js ao abrir qualquer projeto. O Gemini CLI recebeu tratamento idêntico via .gemini/settings.json. O Cursor foi atingido por meio de uma injeção de prompt no arquivo .cursor/rules/setup.mdc, configurado com a flag alwaysApply: true. Já o VS Code foi comprometido por uma tarefa definida no .vscode/tasks.json, programada para disparar automaticamente na abertura da pasta do projeto.

O arquivo .github/setup.js, o verdadeiro coração do ataque, era um JavaScript ofuscado de 4,6 megabytes capaz de varrer credenciais de mais de 90 ferramentas e plataformas — incluindo AWS, Azure, GCP e Kubernetes — e exfiltrá-las para servidores controlados pelo TeamPCP. Bastava um desenvolvedor abrir o repositório infectado em seu ambiente local com qualquer um dos assistentes de IA afetados para que o roubo ocorresse de forma completamente transparente.

105 segundos, duas ondas, 73 repositórios

A escala e a velocidade da propagação revelam um grau de automação sofisticado. As desativações realizadas pela Microsoft aconteceram em dois pulsos distintos monitorados por pesquisadores da StepSecurity: na primeira onda, entre 16h00m50s e 16h01m28s UTC, 39 repositórios foram comprometidos em 38 segundos; na segunda, entre 16h02m24s e 16h02m35s UTC, outros 34 repositórios foram atingidos em apenas 11 segundos. O total de 73 repositórios afetados, distribuídos em quatro organizações da Microsoft no GitHub, foi alcançado em uma janela de 105 segundos — o que demonstra execução automatizada em larga escala.

A campanha Miasma não era inédita para o grupo. Um ataque anterior, registrado em 19 de maio, utilizava um payload diferente: um arquivo Python chamado rope.pyz, de 28 kilobytes, que dependia de comunicação ativa com servidores de comando e controle externos. A versão de junho, mais compacta e autossuficiente em seu estágio de coleta, representa uma evolução técnica significativa na abordagem do TeamPCP. A infraestrutura de comando e controle identificada nos dois ataques é a mesma, confirmando a autoria.

Implicações para a segurança no ecossistema de desenvolvimento

O caso Miasma lança luz sobre um vetor de ataque que vem ganhando atenção crescente entre especialistas em segurança: a exploração de agentes de IA como superfície de ataque. Ferramentas como Claude Code e Cursor executam código e scripts de forma automatizada ao interagir com repositórios, e arquivos de configuração mal intencionados podem redirecionar esse comportamento para fins maliciosos sem que o desenvolvedor perceba. Empresas de segurança como Wiz, Endor Labs e StepSecurity têm alertado para esse risco à medida que a adoção de agentes de codificação com IA acelera nas equipes de engenharia ao redor do mundo.

Para desenvolvedores que utilizam qualquer um dos assistentes afetados, a recomendação imediata é revisar arquivos de configuração em repositórios recém-clonados antes de abri-los no ambiente de trabalho, especialmente em projetos de terceiros ou de grandes organizações que possam ter sofrido comprometimentos de contas de colaboradores. O ataque também reforça a necessidade de políticas mais rígidas de revisão de código para mudanças que toquem em arquivos de configuração de ferramentas de desenvolvimento, mesmo quando essas mudanças pareçam inócuas à primeira vista.


Fonte original: Microsoft derruba 73 repositórios no GitHub após ataque hacker — Tecnoblog. Análise técnica: StepSecurity. Publicado originalmente em 9 de junho de 2026.

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