Finanças · Fonte: Olhar Digital

SpaceX, OpenAI e Anthropic na bolsa: a onda de IPOs bilionários que divide Wall Street entre euforia e medo de 1999

Três das empresas mais valiosas do mundo planejam abrir capital em 2026, movimentando até US$ 2,6 trilhões em avaliações combinadas — e reacendendo entre analistas o temor de que o mercado esteja prestes a repetir o colapso da bolha pontocom.

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A maior fila de IPOs da história recente

O segundo semestre de 2026 promete ser um dos períodos mais agitados da história dos mercados de capitais. SpaceX, OpenAI e Anthropic — três gigantes que moldaram, cada uma à sua maneira, a corrida tecnológica da última década — estão na fila para abrir capital em bolsa com avaliações que, somadas, ultrapassam US$ 3,5 trilhões. O problema, segundo uma crescente linha de analistas, é que números tão expressivos evocam uma memória dolorosa: o eufórico ano de 1999, às vésperas do colapso das pontocom.

Números astronômicos, balanços no vermelho

A SpaceX lidera o calendário. O IPO da empresa de Elon Musk está marcado para 12 de junho na Nasdaq, com avaliação-alvo de US$ 1,75 trilhão e expectativa de captar até US$ 75 bilhões — o que seria uma das maiores ofertas públicas da história. Os números, porém, contam uma história mais complexa nos bastidores: a companhia registrou prejuízo líquido de US$ 4,28 bilhões recentemente e acumulou perdas de US$ 4,94 bilhões ao longo de 2025. Sua divisão de inteligência artificial sozinha consumiu US$ 2,5 bilhões. O negócio mais rentável continua sendo o Starlink, que representa 69% da receita total, com US$ 3,26 bilhões — ainda insuficientes para cobrir os rombos do negócio espacial. Para analistas atentos a múltiplos, o alerta é ainda mais evidente: a SpaceX é precificada a 67 vezes suas vendas, contra 22 vezes da Nvidia, empresa já consagrada como ícone da era da IA.

Na sequência, a Anthropic — criadora do assistente Claude — planeja sua estreia em bolsa para outubro de 2026, com valuation-alvo de US$ 900 bilhões e captação projetada de US$ 30 bilhões. Já a OpenAI, avaliada em US$ 852 bilhões em sua última rodada de financiamento privado, mira o quarto trimestre do ano, embora enfrente ventos contrários: metas de receita que ficaram abaixo do esperado, um processo judicial movido por Elon Musk e a própria diretora financeira, Sarah Friar, que demonstrou ceticismo público quanto ao momento ideal para a abertura de capital.

O fantasma de 1999 ronda Wall Street

A coincidência histórica não passou despercebida entre os especialistas. John Blank, estrategista da Zacks Investment Research, foi direto ao ponto ao analisar o conjunto de IPOs: "Vejo isso como um topo de mercado", declarou, traçando paralelos explícitos com a euforia de 1999, quando empresas de internet abriam capital com avaliações infladas antes de uma correção que destruiu trilhões em valor. William de Gale, gestor da BlueBox Asset Management, colocou o dedo na ferida ao questionar a viabilidade do modelo: "Se OpenAI e Anthropic não conseguem ganhar dinheiro, tudo isso desmorona" — uma observação que ressoa especialmente num momento em que ambas as empresas ainda operam no vermelho.

Outros analistas acrescentam preocupações de governança ao debate. Dan Coatsworth, da AJ Bell, destacou a falta de transparência financeira da SpaceX, agravada pelo fato de Elon Musk concentrar 85% dos direitos de voto na companhia. Adrian Cox, do Deutsche Bank, lembrou que o mercado ainda não teve a oportunidade de avaliar essas empresas com base em balanços detalhados e auditados — algo que os IPOs, ao menos, obrigarão a revelar.

Por que isso importa além das finanças

O impacto potencial dessas aberturas de capital vai além das carteiras dos investidores. Pesquisadores do próprio Deutsche Bank estimaram que, sem o nível atual de gastos com tecnologia — movido em grande parte pela corrida à inteligência artificial —, a economia americana estaria próxima ou dentro de uma recessão. Os IPOs, portanto, funcionam como uma dupla aposta: se bem-sucedidos, reforçam o otimismo com a IA e injetam capital fresco no setor; se fracassarem ou decepcionarem, podem catalisar uma reavaliação dolorosa de toda a classe de ativos ligada à inteligência artificial.

O perito em IPOs Jay Ritter sintetizou bem a magnitude do momento: há décadas não se via tantas empresas potencialmente capazes de captar mais de US$ 20 bilhões em uma única oferta. O ano de 2026 já acumula US$ 28,4 bilhões em captações via IPO — e o semestre mais importante nem começou. A história dirá se esse é o ponto de partida de uma nova era produtiva para a tecnologia ou o prólogo de uma correção inevitável. Por ora, Wall Street observa, calcula — e hesita.


Fonte: Olhar Digital — "IPOs bilionários de tecnologia acendem alerta no mercado", publicado em 22 de maio de 2026. Informações complementares apuradas junto ao Gizmodo e Yahoo Finance.

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