Prisões em Taiwan expõem esquema bilionário de desvio de chips Nvidia para a China; CEO cobra rigor da Supermicro
Taiwan realizou sua primeira ação criminal contra exportações ilegais de hardware de inteligência artificial, prendendo três pessoas ligadas à Supermicro por desviar servidores Nvidia para a China num esquema avaliado em US$ 2,5 bilhões. O CEO da Nvidia, Jensen Huang, reagiu publicamente exigindo que a parceira reforce seus controles de conformidade regulatória.
Taiwan age pela primeira vez contra contrabando de IA
Em 21 de maio de 2026, a promotoria do Distrito de Keelung deflagrou a primeira operação criminal da história de Taiwan especificamente voltada ao contrabando ilegal de hardware de inteligência artificial. Agentes realizaram buscas em 12 endereços e detiveram três pessoas, entre elas Wally Liaw, cofundador da Supermicro — empresa americana especializada na fabricação de servidores para data centers. A ação marca uma virada na postura do governo taiwanese sob a liderança do presidente Lai Ching-te, que vinha sendo pressionado a fechar lacunas no controle de exportações de chips avançados.
O esquema: documentos falsos e etiquetas removidas a secador de cabelo
Segundo as investigações, os acusados montaram uma operação sofisticada de dois níveis para driblar as restrições de exportação impostas pelos Estados Unidos desde 2022. O primeiro nível consistia em documentação falsificada que omitia o destino real das cargas — China, Hong Kong e Macau. O segundo nível envolvia servidores falsos e até o uso de secadores de cabelo para remover etiquetas de embalagens antes do envio. A rota passava por países do Sudeste Asiático como ponto de transbordo, tornando mais difícil rastrear a origem e o destino final das mercadorias. Estima-se que cerca de 50 servidores equipados com aceleradoras Hopper da Nvidia tenham sido contrabandeados nessa fase taiwanesa do esquema.
US$ 2,5 bilhões e uma denúncia federal americana
A operação em Taiwan não surgiu de forma isolada. Em 19 de março de 2026, promotores federais de Manhattan já haviam apresentado uma denúncia criminal contra Liaw, Steven Chang e Ting-Wei Sun, acusados de conspirar para desviar hardware de IA por meio de empresas de fachada no Sudeste Asiático. O montante total do esquema foi estimado em US$ 2,5 bilhões em servidores Nvidia — dos quais pelo menos US$ 510 milhões teriam sido efetivamente movimentados entre 2024 e 2025. Liaw nega as acusações. A Supermicro, por sua vez, declarou não ser formalmente acusada e afirmou cooperar com as investigações.
Jensen Huang cobra conformidade ao chegar em Taipei
Ao desembarcar em Taipei no dia 23 de maio, dois dias após as prisões, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, foi questionado sobre o caso e não poupou palavras. "Insistimos que nossos parceiros estejam em conformidade com as regulamentações. Esperamos que melhorem e reforcem sua adesão às normas e evitem que isso volte a acontecer", afirmou Huang. O executivo fez questão de manter distância das supostas irregularidades, destacando que a Nvidia é rigorosa na comunicação das regras de exportação a seus parceiros, mas sinalizou que a relação comercial com a Supermicro não está ameaçada — ao menos por enquanto.
Chips Hopper: os mais cobiçados do mercado
As aceleradoras da série Hopper, que equipam os servidores no centro do escândalo, figuram entre os produtos mais cobiçados por empresas chinesas de tecnologia desde que Washington passou a restringir exportações de semicondutores avançados à China. A demanda reprimida criou um mercado paralelo lucrativo, com preços chegando a múltiplos do valor de tabela nos canais irregulares. A China permanece um território ambíguo para a Nvidia: Huang chegou a confirmar que o país integra um mercado endereçável de US$ 200 bilhões, e o chip H200 recebeu autorização para comercialização no mercado chinês — mas nenhuma unidade havia sido entregue até o fechamento deste artigo.
Consequências para o setor
O caso reacende o debate sobre a eficácia dos controles de exportação americanos e a responsabilidade das fabricantes de servidores na cadeia de distribuição. Para Taiwan, a operação representa uma sinalização política importante: o governo da ilha busca demonstrar que não será utilizado como porta dos fundos para tecnologia sensível fluir em direção à China. Para a Supermicro, trata-se de mais um capítulo delicado numa série de crises corporativas — e a cobrança pública de Jensen Huang deixa claro que a paciência da Nvidia com parceiros que descumprem regras tem limites.
Fonte original: Olhar Digital — "Após prisões em Taiwan, CEO da Nvidia cobra mais rigor contra desvios de chips para China" (24/05/2026). Informações adicionais corroboradas por Bloomberg, Tom's Hardware e TechTimes.
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