Ataques Hackers · Fonte: Gazeta de Rio Preto

MP denuncia três por ataque ransomware que paralisou prefeitura de Rio Preto e exigiu R$ 500 mil em bitcoin

O Ministério Público de São Paulo formalizou denúncia criminal contra três homens acusados de orquestrar o ataque de ransomware que travou os sistemas da Prefeitura de São José do Rio Preto por seis dias em junho de 2025 — entre os acusados, dois ex-funcionários da empresa municipal de tecnologia. O resgate exigido chegou a R$ 500 mil em criptomoedas.

MP denuncia três por ataque ransomware que paralisou prefeitura de Rio Preto e exigiu R$ 500 mil em bitcoin

Denúncia formaliza acusações um ano após ataque paralisar serviços essenciais

O Ministério Público do Estado de São Paulo denunciou três homens pelos crimes cometidos durante o ataque cibernético que, em junho de 2025, comprometeu integralmente os sistemas digitais da Prefeitura de São José do Rio Preto. A denúncia, distribuída ao Diário de Justiça Eletrônico, enquadra os acusados em associação criminosa, invasão qualificada de dispositivo informático e inserção de dados falsos em sistemas de informação — todos em concurso material, o que eleva consideravelmente a pena potencial em caso de condenação.

Funcionários da própria empresa municipal de TI entre os acusados

O dado que confere contornos particularmente graves ao caso é a origem de dois dos três denunciados: ambos trabalhavam — ou haviam trabalhado recentemente — na Empresa Municipal de Processamento de Dados (Empro), responsável pela infraestrutura tecnológica da administração pública local. Um deles estava em licença não remunerada à época do ataque, mas mantinha acesso ou conhecimento técnico suficiente para integrar a organização criminosa. A presença de insiders no esquema explica, ao menos em parte, a eficácia da invasão e a profundidade dos danos causados aos servidores municipais.

Seis dias de caos: SAMU fora do ar, licitações suspensas e hospitais no modo manual

O ataque, classificado como ransomware — modalidade em que criminosos sequestram dados e sistemas e exigem pagamento para devolver o acesso —, ocorreu entre os dias 5 e 11 de junho de 2025 e deixou a administração municipal em colapso operacional por uma semana inteira. O SAMU ficou temporariamente sem sistema, o número 153 da Guarda Civil Municipal foi desativado, e unidades básicas de saúde e prontos-atendimentos precisaram retornar ao registro manual de pacientes. O Sistema Aprova Digital, utilizado em processos de aprovação de projetos, também foi comprometido, e ao menos 23 processos licitatórios tiveram de ser suspensos ou prorrogados. Os criminosos exigiram aproximadamente R$ 500 mil em criptomoedas como condição para desbloquear os sistemas — valor que, segundo as investigações, a prefeitura não teria pago.

Operação Caim prende suspeitos em condomínios de luxo

A resposta policial veio em outubro de 2025, com a deflagração da Operação Caim pela Polícia Civil de São Paulo. Os mandados de prisão temporária foram cumpridos em condomínios de alto padrão da cidade — detalhe que ilustra o perfil econômico dos investigados e a lucratividade do cibercrime organizado. Durante as buscas, agentes apreenderam celulares, computadores e ao menos uma máquina contaminada com o vírus, que foi encaminhada à perícia técnica. O delegado Adriano Pitoscia coordenou as investigações, incluindo a análise forense de um notebook infectado encontrado na própria sede da Empro.

Liberdade provisória e processo em segredo de Justiça

Embora os três tenham sido presos temporariamente após a Operação Caim, a Justiça concedeu liberdade provisória mediante medidas cautelares: os acusados estão proibidos de deixar a cidade, devem comparecer mensalmente ao Fórum, manter endereço atualizado junto ao juízo e cumprir restrições de circulação. O processo tramita em segredo de Justiça, o que impede a divulgação dos nomes dos denunciados e de detalhes processuais adicionais. A denúncia do MP representa o avanço mais significativo do caso desde as prisões de outubro, sinalizando que o Estado tem elementos suficientes para levar os acusados a julgamento.


Fonte: Gazeta de Rio Preto, com corroboração de Região Noroeste e Diário da Região. Publicado originalmente em 29 de maio de 2026.

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