Ibovespa encerra no pior nível em um mês e acumula 6ª semana seguida no vermelho
O índice Ibovespa fechou a sessão de 22 de maio em queda de 0,81%, aos 176.209 pontos, marcando o menor patamar em um mês e a sexta semana consecutiva de perdas — a maior sequência negativa desde 2018. Saída de estrangeiros, tensões no Oriente Médio e o congelamento de R$ 22,1 bilhões no Orçamento federal pesaram sobre o humor do mercado.
Otimismo que evaporou
O pregão de quinta-feira, 22 de maio de 2026, começou sem direção clara, mas terminou confirmando o que os analistas já temiam: o Ibovespa fechou em queda de 0,81%, aos 176.209 pontos, o nível mais baixo registrado em um mês inteiro. Mais do que um número isolado, o fechamento selou a sexta semana consecutiva de perdas para o principal índice da bolsa brasileira — a sequência negativa mais longa desde 2018.
A conta dos estrangeiros
O principal vilão da jornada foi a fuga de capital externo. Ao longo de maio, investidores estrangeiros acumularam uma saída líquida de R$ 11,7 bilhões da bolsa brasileira, revertendo com força o saldo positivo de R$ 3,2 bilhões registrado em abril. O movimento reflete uma migração de recursos para mercados considerados mais atrativos no momento, especialmente o setor de tecnologia americano e emergentes asiáticos, que voltaram a capturar a atenção dos grandes gestores globais.
Pressões de fora e de dentro
No cenário externo, as negociações entre Estados Unidos e Irã continuaram a gerar incerteza: o impasse sobre o controle de urânio e a supervisão do Estreito de Ormuz manteve os preços do petróleo pressionados para cima, alimentando dúvidas sobre inflação global. Já no front doméstico, o governo federal anunciou um congelamento adicional de R$ 22,1 bilhões no Orçamento, sinal de que a folga fiscal segue estreita — e as incertezas eleitorais ainda rondam o radar dos investidores com peso crescente.
O dólar e o recado dos analistas
Enquanto o Ibovespa recuava, o dólar avançou 0,57% no dia, encerrando cotado a R$ 5,03. Analistas do Itaú BBA apontam que, do ponto de vista técnico, o índice precisaria superar a barreira dos 179.500 pontos para sair da tendência de baixa e retornar a um território neutro — distância que exigirá não apenas melhora no humor externo, mas também sinais mais claros de estabilidade fiscal e política no Brasil.
Fechamento
O dia 22 de maio entrou para o calendário do mercado financeiro como mais um capítulo de uma sequência que combina cautela global, aperto fiscal doméstico e perda de apetite dos estrangeiros pelo Brasil. Com seis semanas consecutivas no vermelho, o Ibovespa aguarda um catalisador capaz de reverter o sentimento — e, por ora, ele ainda não apareceu no horizonte.
Fonte: Seu Dinheiro e CNN Brasil, 22 mai. 2026.
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