Finanças · Fonte: CNN Brasil

Comando Vermelho operava fazenda de Bitcoin escondida em mercado no Complexo do Lins, suspeita de lavagem de dinheiro do tráfico

Operação Contenção da Polícia Civil do Rio de Janeiro desmantelou estrutura clandestina de mineração de criptomoedas ligada ao Comando Vermelho no Complexo do Lins, prendendo 10 pessoas e apreendendo cerca de 30 computadores escondidos nos fundos de um mercado com energia elétrica furtada.

Comando Vermelho operava fazenda de Bitcoin escondida em mercado no Complexo do Lins, suspeita de lavagem de dinheiro do tráfico

Fazenda de criptomoedas do CV é descoberta escondida em mercado na Zona Norte do Rio

Agentes da Polícia Civil do Rio de Janeiro encontraram, durante a Operação Contenção, uma estrutura clandestina de mineração de criptomoedas operada pelo Comando Vermelho dentro do Complexo do Lins, na Zona Norte da cidade. A descoberta surpreendeu pelos requintes tecnológicos: cerca de 30 computadores enfileirados em prateleiras, ventiladores industriais, exaustores fixados nas paredes e toda a instalação elétrica derivada de uma ligação clandestina — o chamado "gato" — para suportar o altíssimo consumo de energia exigido pela atividade de mineração.

Uma operação invisível — e sem ninguém no local

O que chamou especial atenção dos investigadores da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) foi o fato de a estrutura funcionar de forma completamente remota, sem qualquer funcionário presente no local durante o monitoramento. Os equipamentos ficavam ocultos nos fundos de um estabelecimento comercial do complexo, camuflados pela movimentação cotidiana da comunidade. A operação cumpriu seis mandados de prisão e 30 mandados de busca e apreensão, resultando na detenção de dez pessoas ligadas à facção criminosa. Entre os alvos da investigação está Emanuel dos Santos Carvalho, conhecido pelo codinome "Mata Rindo".

Bitcoin como possível rota de lavagem do tráfico

A descoberta levantou uma suspeita que está no centro das investigações em andamento: o uso de Bitcoin e outras moedas digitais como mais uma camada para lavar os lucros do tráfico de drogas. As autoridades avaliam se os recursos gerados pela mineração eram aproveitados para disfarçar a origem do dinheiro obtido com entorpecentes, roubos de veículos, extorsões e outros crimes praticados pela organização na região. A Polícia Civil foi cuidadosa ao destacar, porém, que a mineração de criptomoedas em si é uma atividade legal — o que está sob investigação é a possível instrumentalização dessa atividade para fins ilícitos de lavagem.

O novo flanco do crime organizado

O caso do Complexo do Lins não é um episódio isolado no cenário global, mas representa um passo inédito no Brasil ao conectar explicitamente uma grande facção do crime organizado ao universo das criptomoedas. Grupos criminosos ao redor do mundo já exploram moedas digitais pela dificuldade de rastreamento que oferecem em determinadas circunstâncias, e a descoberta no Rio sugere que essa lógica começa a se enraizar também entre organizações domésticas. Para especialistas em segurança pública e crimes financeiros, o episódio reforça a necessidade de ampliar a capacidade investigativa das forças policiais no campo das finanças digitais, um território ainda em construção no ambiente regulatório brasileiro.


Fonte original: CNN Brasil — publicado em 22 de maio de 2026. Informações adicionais: TNH1 e ContraFatos.

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