Brasil entre os mais atacados: ransomware avança 46% e país concentra 2% das vítimas globais no primeiro trimestre de 2026
O Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2026 entre as dez nações mais afetadas por ransomware do mundo, respondendo por 2% de todas as vítimas globais registradas. Em abril, organizações brasileiras receberam em média 4.118 ataques cibernéticos por semana — alta de 46% em relação ao mesmo período de 2025.
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O Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2026 figurando entre as dez nações mais afetadas por ransomware no mundo, concentrando 2% de todas as vítimas registradas globalmente, segundo levantamento da Check Point Software Technologies. O dado ilustra uma escalada preocupante: em abril do mesmo ano, organizações brasileiras receberam, em média, 4.118 ataques cibernéticos por semana — crescimento de 46% na comparação com o mesmo mês de 2025, colocando o país sob holofote em um dos debates mais urgentes da segurança digital corporativa.
Cenário global
O panorama internacional tampouco oferece alívio. O relatório da Check Point Research sobre o estado do ransomware no primeiro trimestre de 2026 identificou 2.122 organizações listadas em sites de vazamento de dados mantidos por grupos criminosos — o segundo maior volume já registrado para um primeiro trimestre na série histórica. Ao mesmo tempo, o ecossistema de ameaças passou por uma consolidação expressiva: o número de grupos ativos recuou de 85, no terceiro trimestre de 2025, para 71 no período analisado. A aparente redução, porém, não representa alívio — as dez organizações criminosas mais prolíficas concentraram sozinhas 71,1% de todas as vítimas, revelando um padrão de especialização e eficiência operacional crescentes entre os agentes mais sofisticados.
Brasil no mapa do crime digital
A presença brasileira no topo do ranking reflete tanto o porte da economia digital do país quanto lacunas estruturais de maturidade cibernética em setores críticos. Dois dos grupos mais atuantes no período, LockBit 5.0 e The Gentlemen, direcionaram parcelas expressivas de suas operações ao território nacional: o Brasil respondeu por 8,6% das vítimas do LockBit 5.0 — empatando com a Itália — e por 6% das vítimas do grupo The Gentlemen. Esses números posicionam o país como alvo recorrente de campanhas altamente organizadas, e não apenas vítima oportunista de ataques automatizados de baixa sofisticação.
Impacto financeiro e perspectiva
O custo das violações também vem crescendo em território nacional. Dados da Acronis referentes ao segundo semestre de 2025 já apontavam o Brasil na terceira posição entre os países mais atacados por ransomware, com custo médio de violação estimado em R$ 7,19 milhões por incidente — incremento de 6,5% sobre o ano anterior. A combinação de alta frequência de ataques, grupos cada vez mais concentrados e custos em elevação compõe um quadro que exige atenção estratégica de empresas e órgãos governamentais. Especialistas recomendam abordagem integrada que una prevenção técnica, governança robusta e capacitação contínua de colaboradores para reduzir a superfície de exposição e minimizar o tempo de resposta a incidentes.
Fonte: IT Forum, com dados do Check Point Research — The State of Ransomware Q1 2026.