Ataques Hackers · Fonte: Capital Digital

Brasil registra alta de 46% em ataques cibernéticos e figura entre os países mais afetados por ransomware no mundo

O Brasil acumulou mais de 753 bilhões de tentativas de ataques digitais em 2025 e viu o volume de ofensivas crescer 46% em um ano, segundo relatórios da Fortinet e da Check Point Research. O país agora integra o seleto — e indesejado — grupo das dez nações mais impactadas por ransomware no mundo.

Brasil registra alta de 46% em ataques cibernéticos e figura entre os países mais afetados por ransomware no mundo

Brasil se torna alvo preferencial do crime cibernético global

O Brasil atravessa um momento crítico em matéria de segurança digital. Dois dos mais respeitados laboratórios de inteligência em cibersegurança do planeta — Fortinet e Check Point Research — divulgaram dados que pintam um quadro alarmante: o país registrou 753,8 bilhões de tentativas de ataques digitais ao longo de 2025 e viu a frequência das ofensivas saltar 46% em comparação com o ano anterior. Em abril de 2026, as organizações brasileiras suportavam em média 4.118 ataques por semana, quase o dobro da média global de 2.201 ataques semanais para o mesmo período.

Ransomware industrializado e janelas de exploração cada vez menores

Se o volume assusta, a velocidade e a sofisticação das ameaças preocupam ainda mais os especialistas. O relatório "Cenário Global de Ameaças" do FortiGuard Labs aponta que o tempo necessário para que agentes maliciosos explorem uma vulnerabilidade recém-descoberta encolheu drasticamente: o que antes levava mais de quatro dias passou a ocorrer em 24 a 48 horas — e, em casos extremos, horas depois da divulgação pública da falha. Esse fenômeno é impulsionado, em grande parte, pela adoção de inteligência artificial para automatizar a geração e proliferação de malwares, transformando o que eram operações artesanais de invasão em um modelo verdadeiramente industrializado. O resultado visível desse processo foi um crescimento de 535% nas atividades de distribuição de malwares no Brasil em relação a 2024, com 187,5 milhões de registros contabilizados.

País entra no ranking das nações mais atacadas por ransomware

O Brasil também passou a integrar o grupo dos dez países mais afetados por ransomware no mundo, respondendo por 1,7% das vítimas confirmadas globalmente em abril de 2026. A ameaça do sequestro digital de dados está longe de ser exclusiva: mundialmente, os casos de ransomware cresceram 389% em 2025 na comparação com 2024, totalizando 7.831 vítimas identificadas. Os setores de manufatura, serviços empresariais e varejo foram os mais visados globalmente, enquanto no Brasil os alvos prioritários incluem órgãos de governo, instituições de educação e empresas de serviços — segmentos que frequentemente combinam dados sensíveis com infraestruturas de proteção defasadas.

IA generativa amplia superfície de risco nas empresas

A adoção acelerada de ferramentas de inteligência artificial generativa no ambiente corporativo adiciona uma camada extra de vulnerabilidade ao cenário. Dados da Check Point Research indicam que 90% das empresas que já utilizam IA generativa registraram o envio de prompts com potencial de exposição de dados sensíveis — um vetor de vazamento que muitas organizações ainda não mapearam em suas políticas de segurança. A combinação de superfície de ataque ampliada pela IA, velocidade de exploração crescente e volume recorde de tentativas cria um ambiente em que a resiliência cibernética deixou de ser diferencial competitivo para se tornar requisito de sobrevivência institucional.

O que os números exigem das organizações

Diante desse panorama, especialistas reforçam a urgência de revisão contínua de vulnerabilidades, adoção de estratégias de segmentação de redes e investimento em monitoramento preditivo. Para o Brasil, que ocupa posição de destaque negativo em dois rankings simultâneos — volume total de tentativas e impacto por ransomware —, o desafio é tanto técnico quanto cultural: transformar a cibersegurança em pauta de governança corporativa e política pública, e não apenas em reação a incidentes já consumados.


Fonte: Capital Digital, com base em relatórios da Check Point Research e Fortinet/FortiGuard Labs. Publicado originalmente em Capital Digital.

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