Ataque Megalodon: campanha automatizada compromete mais de 5,5 mil repositórios no GitHub em apenas seis horas
Uma campanha maliciosa batizada de Ataque Megalodon comprometeu 5.561 repositórios no GitHub em menos de seis horas no dia 18 de maio de 2026, injetando workflows falsificados no GitHub Actions para roubar credenciais de nuvem, chaves SSH e tokens de acesso. O incidente é distinto do ataque anterior do grupo TeamPCP que havia afetado repositórios internos da plataforma.
Mais de 5,5 mil repositórios comprometidos em tempo recorde
Uma operação cibernética de proporções alarmantes varreu o GitHub na tarde do dia 18 de maio de 2026: em apenas seis horas — entre 11h36 e 17h48 no horário UTC —, uma campanha automatizada comprometeu 5.561 repositórios e despejou 5.718 commits maliciosos na plataforma. O episódio, identificado pelos pesquisadores como Ataque Megalodon, foi mapeado pela empresa de segurança SafeDep e representa um dos maiores incidentes de comprometimento em massa da história do GitHub. Trata-se de um evento inteiramente distinto da invasão anterior atribuída ao grupo TeamPCP, que havia afetado repositórios internos da própria Microsoft.
Como o ataque foi executado
A sofisticação da operação residiu na sua capacidade de se camuflar dentro do próprio ecossistema do GitHub Actions. Os atacantes criaram contas descartáveis com nomes aleatórios de oito caracteres e falsificaram identidades de bots legítimos amplamente usados em pipelines de integração contínua — nomes como "build-bot" e "ci-bot" foram empregados para que os commits maliciosos passassem despercebidos em auditorias superficiais. As mensagens associadas aos commits simulavam operações rotineiras de manutenção de pipeline, reduzindo a chance de detecção imediata por equipes de desenvolvimento.
A campanha operou por meio de duas variantes distintas de workflow. A primeira, chamada SysDiag, se ativava automaticamente a cada push ou pull request, garantindo ampla propagação. A segunda, denominada Optimize-Build, substituía workflows legítimos já existentes, porém usava gatilhos manuais — o que a tornava virtualmente invisível no histórico de atividades automáticas dos repositórios afetados. Em ambos os casos, o núcleo do ataque era idêntico: arquivos de workflow do GitHub Actions contendo scripts em Bash ofuscados em Base64, que, após o merge, executavam silenciosamente no pipeline CI/CD e transmitiam dados coletados para um servidor de comando e controle hospedado no endereço 216.126.225.129:8443.
Credenciais de nuvem e tokens no alvo
O escopo dos dados roubados revela o tamanho da ameaça para organizações afetadas. O script malicioso operava em cinco fases sequenciais: capturava variáveis de ambiente contendo o GITHUB_TOKEN; lia o conteúdo de 27 categorias de arquivos de credenciais, incluindo chaves SSH, configurações AWS e tokens Docker; extraía credenciais dos serviços de metadados da Amazon Web Services, Google Cloud e Microsoft Azure; varria o código-fonte em busca de mais de 30 padrões de segredos hardcoded; e, por fim, roubava tokens OpenID Connect (OIDC) do GitHub Actions, possibilitando acesso direto a serviços de nuvem sem necessidade de senha convencional. Os pesquisadores identificaram ainda 3.500 arquivos YAML adicionais com configuração idêntica à do ataque, sugerindo uma infraestrutura preparada para escalar ainda mais a operação.
Atribuição e contexto mais amplo
A SafeDep atribuiu o Ataque Megalodon ao grupo TeamPCP, uma organização conectada a fóruns underground como o BreachForums e a coletivos de extorsão como LAPSUS$ e VECT. O grupo já havia sido responsabilizado por campanhas anteriores contra projetos de alto perfil, incluindo TanStack, Grafana Labs, OpenAI e Mistral AI, indicando um padrão de ataques direcionados à cadeia de suprimentos de software. Como consequência parcial do incidente, o npm invalidou tokens de acesso granulares associados a pacotes comprometidos — medida que, contudo, não desfaz o vazamento das credenciais já capturadas pelo malware durante a janela de seis horas em que o ataque operou livremente.
O que fazer agora
Equipes de desenvolvimento que mantêm repositórios públicos ou privados no GitHub devem revisar imediatamente o histórico de commits e workflows do GitHub Actions em busca de arquivos YAML não autorizados, especialmente aqueles criados por contas desconhecidas com padrões de nomenclatura aleatórios. A rotação de segredos armazenados em variáveis de ambiente CI/CD, chaves SSH e credenciais de nuvem é recomendada como medida preventiva. O episódio reforça a urgência de auditorias contínuas sobre pipelines de integração contínua, que se tornaram vetores cada vez mais explorados por grupos de ameaça avançada.
Fonte: TecMundo, com informações adicionais de CyberSecBrazil e Braining Digital.
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